sábado, 7 de maio de 2016

Augusto Conte

COMTE
Época, vida e obras de Isidore-Auguste-Marie-François-Xavier Comte - Parte I!
Página de Filosofia Contemporânea
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

Pensamento. A contribuição principal de Comte à filosofia do positivismo foi sua adoção do método científico como base para a organização política da sociedade industrial moderna, de modo mais rigoroso que na abordagem de Saint Simon. Em sua Lei dos três estados ou estágios do desenvolvimento intelectual, Comte teoriza que o desenvolvimento intelectual humano havia passado historicamente primeiro por um estágio teológico, em que o mundo e a humanidade foram explicados nos termos dos deuses e dos espíritos; depois através de um estágio metafísico transitório, em que as explanações estavam nos termos das essências, de causas finais, e de outras abstrações; e finalmente para o estágio positivo moderno. Este último estágio se distinguia por uma consciência das limitações do conhecimento humano. As explanações absolutas consequentemente foram abandonadas, buscando-se a descoberta das leis baseadas nas relações sensíveis observáveis entre os fenômenos naturais.
Comte tentou também uma classificação das ciências; baseada na hipótese que as ciências tinham se desenvolvido a partir da compreensão de princípios simples e abstratos, para daí chegarem à compreensão de fenômenos complexos e concretos. Assim as ciências haviam se desenvolvido a partir da matemática, da astronomia, da física, e da química para atingir o campo mais complexo da biologia e finalmente da sociologia. De acordo com Comte, esta última disciplina, a Sociologia, não somente fechava a série mas também reduziria os fatos sociais a leis científicas, e sintetizaria todo o conhecimento humano, como ápice de toda a ciência.
Embora não fosse dele o conceito de sociologia ou da sua área de estudo, Comte ampliou seu campo e sistematizou seu conteúdo. Dividiu a Sociologia em dois campos principais: Estática social, ou o estudo das forças que mantêm unida a sociedade; e Dinâmica social, ou o estudo das causas das mudanças sociais.
Seu conceito de uma sociedade positiva está no seu Système de politique positive ("Sistema de Política Positiva").
Paralelismo com Saint-Simon. A habilidade particular de Comte era como um sintetizador das correntes intelectuais as mais diversas. Tomou idéias principalmente dos filósofos modernos do século XVII e XVIII. Dando nova roupagem às idéias de HobbesAdam Smith, afirmou que os princípios subjacentes da sociedade são o egoísmo individual, que é incentivado pela divisão de trabalho. No seu entender, lembrando Hobbes, a coesão social se mantém por meio de um governo e um estado fortes. Dando ênfase a hierarquia e obediência, rejeitou a democracia, sustentando que o governo ideal seria constituído por uma elite intelectual. De vários filósofos do Iluminismo adotou a noção do progresso histórico e particularmente de David Hume e Immanuel Kant tomou sua concepção de positivismo, ou seja, a teoria de que o Teologia e a Metafísica são modalidades primárias imperfeitas do conhecimento e que o conhecimento positivo é baseado em fenômenos naturais e suas propriedades e relações como verificado pelas ciências empíricas, tese Kantiana por excelência..
Comte segue Saint-Simon quando considera a necessidade de uma ciência social básica e unificadora que explicasse as organizações sociais existentes e guiasse o planejamento social para um futuro melhor. Na sua hábil sistematização Comte chamou esta nova ciência "Sociologia", pela primeira vez. Porém vai temerariamente mais adiante que seu mestre quando afirma que os fenômenos sociais poderiam ser reduzidos a leis da mesma maneira que as órbitas dos corpos celestes haviam sido explicadas pela teoria gravitacional quase trezentos anos antes.
Como Saint-Simon, Comte queria a administração real do governo e da economia nas mãos dos homens de negócios e dos banqueiros. De Saint-Simon é originalmente a idéia de que a finalidade da análise científica nova da sociedade deve ser melhoradora, e que o resultado final de toda a inovação e sistematização na nova ciência deveria ser a orientação do planejamento social. O mais importante realmente provem de Saint-Simon, que havia enfatizado originalmente a importância crescente da ciência moderna e o potencial da aplicação de métodos científicos ao estudo e à melhoria da sociedade. Comte, porém, dá um toque pessoal seu, com origem em sua paixão por Clotilde, dizendo que a manutenção da moralidade privada seria competência das mulheres como esposas e mães.
Comte também pensou que era necessário implantar uma ordem espiritual nova e secularizada a fim de suplantar o sobrenaturalismo ultrapassado da teologia cristã. De Saint-Simon e outros reformadores franceses menores Comte tomou a noção de uma estrutura hipotética para a organização social que imitaria a hierarquia e a disciplina existente na igreja católica romana. Como Saint-Simon, ele veio a adotar a idéia de que a organização da igreja católica romana, divorciada da teologia cristã, podia fornecer um modelo estrutural e simbólico para a sociedade nova, idéia que, no entanto, fora uma das causas alegadas para seu rompimento com o mestre. Comte substituiu a adoração a Deus por uma "religião da humanidade"; um sacerdócio espiritual de sociólogos seculares guiaria a sociedade e controlaria a instrução e a moralidade pública.
Comte viveu para ver sua obra comentada extensamente em toda a Europa. Muitos intelectuais ingleses foram influenciados por ele, e traduziram e promulgaram seu trabalho. Seus devotos franceses tinham aumentado também, e mantinha uma correspondência volumosa com sociedades positivistas em todo o mundo.
Rubem Queiroz Cobra            Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia
Lançada em 24/04/1999 (como anexo a Filosofia Moderna)

Augusto Conte

COMTE
Época, vida e obras de Isidore-Auguste-Marie-François-Xavier Comte - Parte I
Página de Filosofia Contemporânea
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

Vida. Comte, cujo nome completo era Isidore-Auguste-Marie-François-Xavier Comte, nasceu em 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, e faleceu em 5 de setembro de 1857, em Paris. Filósofo e auto-proclamado líder religioso, deu à ciência da Sociologia esta denominação e estabeleceu a nova disciplina em uma forma sistemática.
Foi aluno da célebre École Polytechnique, uma escola em Paris fundada em 1794 onde se ensinava a ciência e o pensamento mais avançados da época. De família pobre, sustentou seus estudos com o ensino ocasional da matemática e oportunidades no jornalismo.
Um de seus primeiros empregos foi o de secretário do Conde Henri de Saint-Simon, o primeiro filósofo a ver claramente a importância da organização econômica na sociedade moderna, e cujas idéias Comte absorveu, sistematizou com um estilo pessoal e difundiu.
Comte foi apresentado ao filósofo, então diretor do periódico Industrie, no verão de 1817. Saint-Simon, um homem de fértil, mas tumultuada e desordenada criatividade, então quase sessenta anos mais velho que Comte, foi atraído pelo jovem brilhante que possuiu a capacidade treinada e metódica para o trabalho que lhe faltava. Comte tornou-se seu secretário e colaborador próximo, na preparação de seus últimos trabalhos. Quando Saint-Simon experimentou problemas financeiros, Comte permaneceu sem pagamento, ao que parece por razões intelectuais e talvez também a esperança de recuperação pecuniária do patrão.
Os esboços e os ensaios que Comte escreveu durante os anos da associação próxima com Saint-Simon, especialmente entre 1819 e 1824, mostram inequivocamente a influência do mestre. Esses primeiros trabalhos já contêm o núcleo de todas suas idéias principais, mesmo as mais tardias.
Em 1824 Comte desentendeu-se com Saint-Simon por questões de autoria legítima de ensaios que Comte devia publicar. A solução, que Comte considerou injusta, foi que cem cópias do trabalho saíram sob o nome de Comte, enquanto mil cópias, intituladas Catechisme des industriels indicavam a autoria de Henri de Saint-Simon. Outra causa do rompimento foi, ironicamente, Comte desdenhar a idéia de um paradigma religioso no projeto de Saint Simon, ele, Comte, que depois haveria de adotar essa idéia de modo ainda mais radical, proclamando a si mesmo como sumo sacerdote da Humanidade.
Em fevereiro 1825 Comte se casou com Caroline Massin, proprietária de uma pequena livraria, uma moça que ele já conhecia a alguns anos. Comte a achava forte e inteligente, mas depois taxou-a de ambiciosa e desprovida de afetividade. O casamento foi sempre tumultuado por motivos financeiros, uma vez que Comte não conseguia uma posição com salário fixo e contava apenas com os rendimentos das aulas particulares e alguma renda adicional por colaborações a jornais, mais freqüentemente para oProducteur, um jornal fundado pelos filhos espirituais de Saint-Simon após a morte do mestre.
Depois de se afastar de Saint Simon, a principal preocupação de Comte tornou-se a elaboração de sua filosofia positiva. Não tendo nenhuma cadeira oficial da qual expor suas teorias, decidiu oferecer um curso particular que os interessados subscreveriam adiantado, e onde divulgaria sua Summa do conhecimento positivo. O curso abriu em abril, 1826, com a presença de alguns curiosos ilustres como Alexander von Humboldt, diversos membros da academia das ciências, o economista Charles Dunoyer, o duque Napoleon de Montebello, e Hippolyte Carnot, filho do organizador dos exércitos revolucionários e irmão do cientista Sadi Carnot, e vários estudantes da Ecole Polytechnique.
Comte deu apenas três aulas e foi obrigado a interromper o curso devido a um colapso nervoso. Seu mal foi diagnosticado como "mania", no hospital do famoso Dr. Esquirol, o autor de um tratado sobre essa doença e um ex-aluno do não menos famoso Dr. Pinel, na Salpetrière. Ele próprio submeteu Comte a um tratamento com banhos de água fria e sangrias. Apesar de não receber alta, Comte foi levado para casa por Caroline
Em casa, Comte caiu em um estado melancólico profundo, e tentou mesmo o suicídio jogando-se no rio Sena. Somente em agosto 1828 logrou sair de sua letargia. O curso das conferências foi recomeçado em 1829, e Comte ficou satisfeito outra vez por encontrar na audiência diversos nomes de grandes das ciências e das letras.
Durante os anos 1830-1842, quando escreveu sua obra prima, Cours de philosophie positive, Comte continuou a viver miseravelmente na margem do mundo acadêmico. Todas as tentativas de ser apontado para uma cadeira na Ecole Polytechniqueou para uma posição na Academia das Ciências ou na Faculdade da França foram infrutíferas. Conseguiu somente em 1832 ser apontado assistente de "analyse et de mecanique" na Ecole; cinco anos mais tarde obteve também a posição de examinador externo para a mesma escola. Com as duas posições recebia pouco mais de dois mil francos, o que era pouco para as despesas que tinha com a esposa, e obrigou-o a continuar com as aulas particulares para o sustento da casa.
Durante os anos da concentração intensa quando escreveu o Cours, Comte foi incomodado não somente por dificuldades financeiras e as frustradas tentativas de emprego acadêmico. Também sofreu críticas do mundo científico por parte de importantes figuras que o ridicularizavam pela sua pretensão de submeter ao seu sistema todas as ciências. A mágoa agravou seu estado psicológico. Por razões "de higiene cerebral", decidiu-se, em 1838, a não ler mais uma linha de qualquer trabalho científico, limitando-se à leitura de ficção e poesia. Em seus últimos anos, o único livro que haveria de ler repetidamente seria o "Imitação de Cristo". Sua vida matrimonial, que sempre fora tempestuosa, também se desfez.. Comte teve várias separações de Caroline, que não suportava os seus fracassos e terminou por deixá-lo definitivamente em 1842.
Só e isolado, continuou a atacar os cientistas que se recusavam a reconhecê-lo. Queixou-se de seus inimigos aos ministros do Rei, escreveu cartas delirantes à imprensa e atormentou a paciência dos poucos amigos que lhe restavam. Criando um número grande de inimigos na Ecole Polytechnique, sua nomeação como examinador não foi renovada em 1844. Perdeu com isto a metade de sua renda. Iria perder também a posição de assistente na Ecole em 1851.
Contudo apesar de todas estas adversidades, Comte começou lentamente a adquirir discípulos. E mais importante para ele foi que, além de encontrar alguns discípulos franceses notáveis tais como o eminente intelectual Emile Littré, também a sua doutrina positiva havia atravessado o Canal e recebera considerável atenção na Inglaterra. David Brewster, um físico eminente, saudou-o nas páginas do Edinburgh Review em 1838 e, o mais gratificante de tudo, John Stuart Mill transformou-se em seu admirador, citando-o em seu System of Logic (1843) como um dos principais pensadores europeus. Comte e Mill se corresponderam regularmente, e esse intercâmbio serviu a Comte não somente para refinar seus pensamentos como também para desabafar com o filósofo inglês as tribulações de sua vida conjugal e as dificuldades de sua existência material. Mill arrecadou entre admiradores britânicos de Comte uma soma considerável em dinheiro e lhe enviou como socorro para suas dificuldades financeiras.
No mesmo ano de 1844, Comte conheceu Clotilde de Vaux, por quem se apaixonou. Ela era uma mulher de trinta anos abandonada pelo marido, um funcionário público do baixo escalão, que havia fugido do país depois de se apropriar de fundos do governo. Um irmão de Clotilde que havia sido aluno de Comte na Escola Politécnica, e o convidou a ir à casa de seus pais, onde lhe apresentou a irmã. Comte ficou inteiramente seduzido por ela. Sua paixão tem, porém, um desdobramento inusitado. Clotilde está impedida pela lei de casar-se achando-se o seu marido foragido.
Auguste Comte tinha então quarenta e sete anos, e havia se separado três anos antes de sua mulher. Acabara de concluir seu monumental Cours de philosophie positive, e se preparava para escrever o que pretendia que seria sua principal obra, o Système de politique positive, do qual ele considerava o Cours de philosophie como apenas uma introdução. Entusiasmado com a própria paixão, Comte afirma que nada pode ser mais eficaz para o bem pensar que o bem querer. Afirma que a mulher encarna o sentimento e portanto, em última análise, a própria Humanidade, e se torna um abrasado feminista. Busca seriamente associar o sexo feminino, na pessoa de Clotilde, à obra de renovação social e moral que se impôs completar. Clotilde tenta colaborar, através de um romance filosófico, Wilhelmine, que ela se põe diligentemente a escrever. Mas adoece de tuberculose e vem a falecer em 1846.
Comte irá devotar o resto de sua vida à memória do "seu anjo". O Système de politique positive, que tinha começado a esboçar em 1844 e no qual completou sua formulação da sociologia., iria transformar-se em um memorial a sua amada. Cinco anos mais tarde, em 1851, ao publicar essa obra, dedicou-a a Clotilde, dizendo esperar que a humanidade, reconhecida, haveria de lembrar sempre seu nome junto ao dela.
No Système de politique positive, Comte, voltando-se contra a doutrina do mestre Saint-Simon, defendeu a primazia da emoção sobre o intelecto, do sentimento sobre a racionalidade; e proclamou repetidamente o poder curativo do calor feminino para a humanidade dominada por tempo demasiado pela aspereza do intelecto masculino. Por outro lado, distorceu a proposta de disciplina eclesiástica de Saint-Simon e criou a "Religião da Humanidade".
Quando o Système apareceu entre 1851 e 1854, Comte escandalizou e perdeu a maioria dos seguidores racionalistas que ele havia conquistado com tanta dificuldade nos últimos quinze anos. John Stuart Mill e Emile Littre não aceitaram que o amor universal fosse a solução para todas as dificuldades da época. Tão pouco aceitariam a "Religião da Humanidade" da qual Comte se proclamou o sumo sacerdote. A observação dos rituais múltiplos segundo o calendário anual, os detalhes da elaborada liturgia indicavam que o antigo profeta do estágio positivo havia regressado às trevas do estágio teológico. Comte passou a assinar suas circulares - aos novos discípulos que conseguiu reunir - como "fundador da religião universal e sumo sacerdote da humanidade". Tentou converter o Superior Geral dos Jesuítas à nova fé e comparou suas circulares aos discípulos com as epístolas de São Paulo. Fundou a Societé Positiviste, que se transformou no centro principal de seu ensino. Os membros se cotizaram para assegurar a subsistência do mestre e fizeram os votos de espalhar sua mensagem. As missões se instalaram, na Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, e na Holanda.
Cada noite, das sete às nove, exceto nas quartas-feiras quando a Societé Positiviste tinha sua reunião regular, Comte recebia seus discípulos em sua casa em Paris: políticos, intelectuais e operários, que lhe votavam grande respeito e veneração. Comte estava longe do entusiasmo republicano e libertário de sua juventude. O moto da Igreja Positiva era "amor, ordem e progresso". O jovem estudante de passeata agora pregava as virtudes do amor, da submissão e a necessidade da ordem para o progresso social.
Em 1857, Comte, após alguns meses de enfermidade, faleceu a cinco de setembro. Um grupo pequeno de discípulos, de amigos, e de vizinhos seguiu seu esquife ao cemitério de Pere Lachaise. Seu túmulo transformou-se no centro de um pequeno cemitério positivista onde estão sepultados, perto do mestre, seus discípulos mais fiéis.
Rubem Queiroz Cobra            Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia

ASPECTO DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

ASPECTO DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Aspectos da Filosofia Contemporânea
Consideramos como contemporânea a filosofia que se estende, dentro da imprecisão cronológica própria das produções culturais, ao longo da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX. A filosofia contemporânea, nas suas linhas mais fundamentais e características, só pode ser adequadamente compreendida em relação com a obra de Hegel. Com efeito, a filosofia contemporânea constitui em grande medida uma reacção contra o sistema hegeliano, ao mesmo tempo que retoma poucas das suas análises e interrogações.A mais notável e radical reacção contra o sistema de Hegel é feita por Marx, pelo marxismo. O marxismo, entroncado originalmente na esquerda hegeliana, distingue e separa o sistema hegeliano (idealista) do método dialéctico. Aceitando e transformando este último, a filosofia marxista “inverte” o sistema de Hegel, propondo uma visão dialéctica-materialista da consciência, da sociedade e da história.Outra reação contra o hegelianismo – reação estreitamente vinculada à situação econômica, social e intelectual resultante da revolução industrial – é representada pelo positivismo, especialmente o de Comte. Neste caso, reage-se contra o “racionalismo” hegeliano naquilo que possa ter de menosprezo da experiência, com a pretensão de instaurar um saber positivo, capaz de fundamentar uma organização político-social nova. Como MarxComte conserva, no entanto, embora transformando-o, um momento importante do hegelianismo: a ideia de “espírito objectivo”.

Por que no inicio do século XX desapareceu o otimismo com relação ás ciências e as técnicas?
Ao final do século XIX, a filosofia se entusiasma com as ciências e técnicas (Segunda revolução industrial) passando a acreditar totalmente no saber cientifico e na tecnologia para controlar a Natureza, a sociedade e os indivíduos.
Com alguns fatos históricos ocorridos no inicio do século XX como, por exemplo: as duas guerras mundiais, o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, os campos de concentração nazistas, as guerras da Coréia, Vietnã, Oriente Médio, do Afeganistão, as invasões comunistas da Hungria e da Tchecoslováquia, as ditaduras sangrentas da América Latina, a devastação de mares, florestas e terras, a poluição do ar, os perigos cancerígenos de alimentos e remédios, o aumento de distúrbios e sofrimentos mentais, entre outros acontecimentos, os filósofos que acreditavam que o otimismo é designado pelo fato de se pensar que, na vida, tudo acaba por se resolver, porque tudo é regulado por uma lei que guia para o melhor e não para o pior, começam a desacreditar que as ciências e as técnicas descobertas pelos homens já não erão mais para o seu próprio bem, e sim para destruição dele.
Surge então a formação da Teoria Critica, na qual distingue duas formas da razão: a razão instrumental, na qual a ciência e as técnicas são meios de intimidação, terror, medo e desespero para o ser humano e a razão critica, que afirma que as mudanças sócias, políticas e culturais só serão realizadas com a intenção de emancipação do gênero humano e não para domínio técnico-científico.
Como os filósofos do século XX concebem a cultura?
No século XIX alguns filósofos acreditam em uma Cultura universal (criação coletiva de idéias, símbolos e valores pelos quais uma sociedade define para si mesma) em desenvolvimento, na qual as diferentes culturas seriam fases ou etapas, e os adeptos da Filosofia Romântica acreditavam que a cultura era nacional e era preciso conhecer o espírito da nação, conhecendo suas origens e raízes, porque a cultura se encontra no passado e não no futuro.
Na Filosofia do século XX, afirmando que a historia é descontinua já não existe essa idéia de cultura única e sim de várias culturas, e que elas não são desenvolvidas de acordo com a nação, porque a idéia de nação é um conceito cultural.
Para esses Filósofos, cada cultura tem seu modo de se relacionar, de linguagem, de elaboração dos mitos e crenças, de organizar o trabalho entre outras. A cultura de cada povo é influencias por aspectos geográficos, históricos e políticos.
Sendo assim os filósofos são a favor da idéia de que a cultura pode se modificar à medida que ela entra em contato com outras culturas tomando algumas características das mesmas.
Por que a descoberta da ideologia, por Marx e a do inconsciente por Freud, questionam o otimismo nacionalista do século XX?
No século XIX, a filosofia afirma que o otimismo filosófico poderia levar ao homem a sua certeza absoluta e que a razão seria desenvolvida para que o conhecimento completo da realidade e das ações humanas fossem atingidos.
Já no século XX Marx questiona essa razão citada pelos filósofos do século anterior. Marx voltado pra política e para a economia descobre que o homem não é tão livre quanto imagina ser.“O indivíduo é o ser social: O homem, isto é o mundo do homem: Estado, sociedade”.Essa natureza social constitui para Marx o ponto de partida. Marx descobre que o homem tem uma ilusão de ter controle sobre a sua consciência, sendo assim ele é capaz de agir e pensar do modo que ele quer, porém o homem desconhece uma força, que é denominada de ideologia, na qual o homem age de acordo com o social, sendo ela responsável por agirmos do modo que agimos e pensarmos do modo que pensamos. Assim deve-se entender a frase: “Não é a consciência do homem que determina seu ser, mas é seu ser social que determina sua consciência”.
Freud por sua vez afirma que os seres humanos têm a ilusão de que tudo que dizem, sentem, pensem, faze, desejem estaria sob o controle da sua consciência porque assim como Marx diz Freud também afirma que o homem desconhece o poder de uma força que controla essas atitudes. Porém ao contrário de Marx, Freud da o nome dessa força de psíquico-social e ele ainda diz que ela atua sobre a nossa consciência sem que ela o saiba. A esse poder que domina a nossa consciência Freud deu o nome de inconsciente.
Diante dessas duas descobertas, a Filosofia se viu forçada a reabrir a discussão sobre o que é e o que pode a razão, sobre o que é e o que pode a consciência reflexiva ou o sujeito do conhecimento, sobre o que são e o que podem as aparências e as ilusões.
Apresente alguns exemplos do interesse pelo finito ou pela finitude nas filosofias do século XX.
No século XIX a filosofia seguia uma tradição de pensamento cristão, no qual a idéia do infinito era a mais aceita, isto é achavam que a natureza era eterna (dos cristãos) e que Deus também era eterno (dos Gregos). Prevalecia ainda a idéia de totalidade.
Entretanto no século XX a filosofia começa a se interessar pela idéia de Finito, isto é ao que surge e desaparece ao que tem fronteira e limites. Esse interesse pelo finito aparece em algumas correntes filosóficas como, por exemplo:
Existencialismo: O existencialismo é um movimento filosófico unilateral, que coloca a ênfase no individual, no próprio, a experiência do indivíduo e na singularidade dele como a única realidade. Define o homem como “um ser para a morte”, ou seja, é aquele ser que sabe que termina e que por isso precisa encontrar em si mesmo o sentindo de sua existência. “O homem é condenado a ser livre”. Frente a essa liberdade, o ser humano se angustia porque a liberdade implica em escolha, que só o próprio indivíduo pode fazer.Muitos de nós paralisamos e, assim, achamos que não fomos obrigados a escolher. Mas a “não ação”, por si só, já é uma escolha. A escolha de adiar a existência, adiando os riscos para não errar e gerar culpa, é uma tônica na sociedade contemporânea. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.
Filosofia da diferença: É a filosofia que se interessa menos pelas semelhanças e identidades e muito mais pela singularidade e particularidade. Inspirando-se nos trabalhos dos antropólogos, interessa-se pela diversidade, pluralidade, singularidade das diferentes culturas, em lugar de voltar-se para a idéia de uma cultura universal, que foi, no século XIX, uma das imagens do infinito, isto é, de uma totalidade que conteria dentro de si, como suas partes ou seus momentos, as diferentes culturas singulares.
Filosofia buscando outros meios: A  Filosofia, em vez de buscar uma ciência universal que conteria dentro de si todas as ciências particulares, interessa-se pela multiplicidade e pela diferença entre as ciências, pelos limites de cada uma delas e, sobretudo por seus impasses e problemas insolúveis.
O que definia a modernidade no campo do conhecimento?
A Filosofia por existir a muito tempo, por ter uma história longa e por passar por vários períodos diferentes, vários temas, disciplina, campos de investigação filosóficos surgiram e desapareceram.
Antigamente a filosofia era representada como uma grande árvore frondosa, cujas raízes eram a metafísica e a teologia, cujo tronco era a lógica, cujos ramos principais eram a filosofia da Natureza, a ética e a política e cujos galhos extremos eram as técnicas, as artes e as invenções. A Filosofia vista como uma totalidade orgânica ou viva, era chamada de “rainha das ciências”. Isso desapareceu com o passar do tempo.
Pouco a pouco, as várias ciências particulares que antes era “dependente da filosofia” foram definindo seus objetivos, seus métodos e seus resultados próprios, e se desligaram da grande árvore. Cada ciência, ao se desligar, levou consigo os conhecimentos práticos ou aplicados de seu campo de investigação, isto é, as artes e as técnicas a ele ligadas. As últimas ciências a aparecer e a se desligar da árvore da Filosofia foram as ciências humanas (psicologia, sociologia, antropologia, história, lingüística, geografia, etc.). Outros campos de conhecimento e de ação abriram-se para a Filosofia, mas a idéia de uma totalidade de saberes que conteria em si todos os conhecimentos nunca mais reapareceu.
A Filosofia tornou-se uma teoria do conhecimento, ou uma teoria sobre a capacidade e a possibilidade humana de conhecer, e uma ética, ou estudo das condições de possibilidade da ação moral enquanto realizada por liberdade e por dever. Com isso, a Filosofia deixava de ser conhecimento do mundo em si e tornava-se apenas conhecimento do homem enquanto ser racional e moral, ou seja, começa a entrar em ação o “conheça-ti a ti mesmo”.
Quais as principais criticas pós-modernas á modernidade?
No final do século XX, um movimento filosófico, conhecido como desconstrutivismo ou pós-modernismo, vem ganhando preponderância. Seu alvo principal é a crítica de todos os conceitos e valores que, até hoje, sustentaram a Filosofia e o pensamento dito ocidental: razão, poder, sujeito, objeto, História, espaço, tempo, liberdade, necessidade, acaso, Natureza, homem, etc.
Pós-Modernidade nasce no processo de contestação das verdades dogmáticas na segunda metade do século XX. A Modernidade que surgi no final do século XIX e inicio do século XX é agora criticada em seus pilares fundamentais, como a crença na Verdade, alcançável pela Razão, e na linearidade histórica rumo ao progresso. Para substituir estes dogmas, são propostos novos valores, menos fechados e categorizantes. Uma vez adotados, eles serviriam de base para o período que se tenta anunciar no pensamento, na ciência e na tecnologia, de superação da Modernidade.
O que é Metafísica, depois de Kant?
Desde o final do século XVIII, o filósofo alemão Immanuel Kant, passou a considerar que a Filosofia, durante todos os séculos anteriores, tivera uma pretensão irrealizável. Esta pretensão seria a de que nossa razão pode conhecer as coisas tais como são em mesmas. Esse conhecimento da realidade em si, dos primeiros princípios e das primeiras causas de todas as coisas chama-se metafísica.
Para Kant, Metafísica é a filosofia baseada em princípios que não são revelados pela a experiência, mas pela própria razão, ou seja, princípios a priori, quer dizer, independentes da experiência, e por isto necessários e universais (pois não podem ser provados falsos pela experiência).
Kant negou que a razão humana tivesse tal poder de conhecimento e afirmou que só conhecemos as coisas tais como são organizadas pela estrutura interna e universal de nossa razão, mas nunca saberemos se tal organização corresponde ou não à organização em si da própria realidade. Deixando de ser metafísica, a Filosofia se tornou o conhecimento das condições de possibilidade do conhecimento verdadeiro enquanto conhecimento possível para os seres humanos racionais.
Metafísica é, para Kant, nesta acepção, a filosofia baseada em princípios que não são revelados pela a experiência, mas pela própria razão, ou seja, princípios a priori, quer dizer, independentes da experiência, e por isto necessários e universais (pois não podem ser provados falsos pela experiência).
Por que, com o positivismo de Augusto Comte, a filosofia se reduz a epistemologia?
Na elaboração da filosofia positiva, o primeiro passo de Comte, foi a classificação das ciências que, segundo ele, já haviam alcançado a positividade. São elas: a matemática, a astronomia, a física, a química, a biologia e a sociologia, (esta última que estava sendo formulada por Comte). Mais tarde, Comte acrescentou a moral. Esta série não representava todo conhecimento humano, mas sim todas as ciências puras. A ordenação e a classificação das ciências era o objetivo básico da filosofia positiva.
A epistemologia, também chamada teoria do conhecimento, é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza, fontes e validade do conhecimento. Estuda o conhecimento, teoriza sobre a própria ciência e de como seria possível a apreensão deste conhecimento.
Desde meados do século XIX, como conseqüência da filosofia de Augusto Comte – chamada de positivismo-, foi feita uma separação entre Filosofia e ciências positivas (matemática, física, química, biologia, astronomia, sociologia). As ciências, dizia Comte, estudam a realidade natural, social, psicológica e moral e são propriamente o conhecimento. Para ele, a Filosofia seria apenas reflexão sobre o significado do trabalho científico, isto é, uma análise e uma interpretação dos procedimentos ou das metodologias usadas pelas ciências e uma avaliação dos resultados científicos. A Filosofia tornou-se, assim, uma teoria das ciências ou epistemologia.
Como se caracteriza o pensamento pós-moderno?
As várias ciências particulares foram definindo seus objetivos, seus métodos e seus resultados próprios, e tornaram-se dependente da filosofia. Cada ciência, ao se desligar, levou consigo os conhecimentos práticos ou aplicados de seu campo de investigação, isto é, as artes e as técnicas a ele ligadas.
Desde a Segunda Guerra Mundial, com o fenômeno do totalitarismo – fascismo, nazismo, stalinismo -, com as guerras de libertação nacional contra os impérios coloniais e as revoluções socialistas em vários países; desde os anos 60, com as lutas contra ditaduras e com os movimentos por direitos (negros, índios, mulheres, idosos, homossexuais, loucos, crianças, os excluídos econômica e politicamente); e desde os anos 70, com a luta pela democracia em países submetidos a regimes autoritários, um grande interesse pela filosofia política ressurgiu e, com ele, as críticas de ideologias e uma nova discussão sobre as relações entre a ética e a política, além das discussões em torno da filosofia da História.
Quais os campos próprios da investigação filosófica?
Os campos próprios em que se desenvolve a reflexão filosófica nestes vinte e cinco séculos são:
Ontologia ou metafísica: que é o conhecimento dos princípios e fundamentos últimos de toda a realidade, de todos os seres;
Lógica: conhecimento das formas gerais e regras gerais do pensamento correto e verdadeiro, independentemente dos conteúdos pensados; regras para pensamentos não-científicos; regras sobre o modo de expor os conhecimentos; regras para verificação da verdade ou falsidade de um pensamento, etc.;
Epistemologia: análise crítica das ciências, tanto as ciências exatas ou matemáticas, quanto as naturais e as humanas; avaliação dos métodos e dos resultados das ciências; compatibilidades e incompatibilidades entre as ciências; formas de relações entre as ciências, etc.;
Teoria do conhecimento ou estudo das diferentes modalidades de conhecimento humano: o conhecimento sensorial ou sensação e percepção; a memória e a imaginação; o conhecimento intelectual; a idéia de verdade e falsidade; a idéia de ilusão e realidade; formas de conhecer o espaço e o tempo; formas de conhecer relações; conhecimento ingênuo e conhecimento científico; diferença entre conhecimento científico e filosófico, etc;
Ética: estudo dos valores morais (as virtudes), da relação entre vontade e paixão, vontade e razão; finalidades e valores da ação moral; idéias de liberdade, responsabilidade, dever, obrigação, etc.;
Filosofia política: estudo sobre a natureza do poder e da autoridade; idéias de direito, lei, justiça, dominação, violência; formas dos regimes políticos e suas fundamentações; nascimento e formas do Estado; idéias autoritárias, conservadoras, revolucionárias e libertárias; teorias da revolução e da reforma; análise e crítica das ideologias;
Filosofia da História: estudo sobre a dimensão temporal da existência humana como existência sócio-política e cultural; teorias do progresso, da evolução e teorias da descontinuidade histórica; significado das diferenças culturais e históricas, suas razões e conseqüências;
Filosofia da arte ou estética: estudo das formas de arte, do trabalho artístico; idéia de obra de arte e de criação; relação entre matéria e forma nas artes; relação entre arte e sociedade, arte e política, arte e ética;
Filosofia da linguagem: a linguagem como manifestação da humanidade do homem; signos, significações; a comunicação; passagem da linguagem oral à escrita, da linguagem cotidiana à filosofia, à literária, à científica; diferentes formas de expressão e de comunicação;
História da Filosofia: estudo dos diferentes períodos da Filosofia; de grupos de filósofos segundo os temas e problemas que abordam; de relações entre o pensamento filosófico e as condições econômicas, políticas, sociais e culturais de uma sociedade; mudanças ou transformações de conceitos filosóficos em diferentes épocas; mudanças na concepção do que seja a Filosofia e de seu papel ou finalidade.
Autor: Juliana Pimenta Ruas El Aouar

Como fechar as portas de casa para a droga



Pesquisa feita em escolas da Capital revela que os pais estão falhando no diálogo com os filhos.
Um levantamento com 1,8 mil estudantes dos ensinos Fundamental e Médio de Porto Alegre indica que os pais estão deixando uma porta aberta para a entrada das drogas em suas casas. O recado enviado por crianças e adolescentes é de que estão faltando informações e monitoramento adequado por parte das famílias a fim de aumentar a prevenção contra o uso de tóxicos.
Apresentada ontem pela Brigada Militar, a pesquisa demonstra que amigos e colegas são a principal fonte de informação dos alunos sobre drogas, embora a maioria diga esperar que os pais cumpram esse papel. A periodicidade com que os responsáveis abordam o tema também deixa a desejar. Parte dos estudantes de 12 escolas públicas e privadas entrevistados (42%) afirma que seus pais somente os procuram para falar quando o assunto aparece nos meios de comunicação. Outro dado preocupante é que 11% deles, com idades entre 13 e 18 anos, disseram jamais ter conversado sobre drogas em família.
– Mais da metade diz que quer aprender com os pais, mas acaba aprendendo com os amigos. Os dados mostram que os vínculos com os pais não estão acontecendo – interpreta o autor do levantamento, major da BM Alexandre Thomaz, chefe do gabinete regional da polícia cidadã do Comando de Policiamento da Capital.
Como resultado da falta de diálogo, as informações dos jovens sobre os efeitos de substâncias nocivas são poucas. Apenas 53% deles afirmaram conhecer o suficiente sobre drogas, mas, ao final das palestras oferecidas pela BM nas escolas incluídas no levantamento (os nomes são preservados pela corporação), 98% admitiram ter recebido informações novas. Para Thomaz, isso indica que o nível de conscientização é precário.
Para o psicólogo Lucas Neiva-Silva, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, o diálogo familiar é um fator de prevenção fundamental. O problema é que seguidamente os próprios pais não sabem o suficiente para transmitir aos filhos.
– A maioria dos pais não entende o processo pelo qual a droga mata ou faz mal. O discurso fica resumido a poucas frases que se repetem. Isso não funciona – diz o especialista.
Outro dado comportamental considerado preocupante é que muitas famílias não conhecem bem os amigos dos filhos, sejam da rua ou de meios eletrônicos como a internet. Segundo pesquisas sobre drogadição, a influência de más companhias é fator determinante para crianças e adolescentes decidirem experimentar substâncias proibidas.
:: ATENÇÃO AO USO DE REMÉDIOS DURANTE A INFÂNCIA
A prevenção ao abuso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, deve começar ainda na primeira infância. Uma das formas é agir responsavelmente ao ministrar remédios para os filhos. Os especialistas recomendam que os pais evitem chamar medicamentos de “sucos” ou “balas” a fim de facilitar seu consumo. Isso pode sugerir uma falsa relação entre substâncias que devem ser tomadas apenas ocasionalmente e sob supervisão médica com produtos alimentícios. Assim, os responsáveis também ajudam a despertar na criança o conceito de que a vida não é feita apenas de bons momentos.
:: AJUSTE O DISCURSO CONFORME A IDADE DA CRIANÇA
Os pais não podem orientar os filhos sobre o risco das drogas da mesma maneira ao longo da infância e da adolescência. Essas explicações podem começar em qualquer idade, conforme a criança demonstre capacidade de compreensão do assunto. Daí até os oito, nove anos, pode-se adotar uma abordagem mais imperativa – dizer que a criança não pode tomar bebida alcoólica porque não é apropriado para sua idade, por exemplo. Depois dessa faixa etária, porém, ganha importância o caráter explicativo. Os pais precisam estar preparados para dar pormenores dos danos causados pelo uso de determinadas drogas e que justificam sua proibição.
:: EVITE ADOTAR SLOGANS: INFORME-SE ANTES DE CONVERSARUma das abordagens mais comuns – e menos eficazes – utilizadas por pais e responsáveis de crianças ou adolescentes é sustentar seu discurso antidrogas em slogans como “droga mata” ou “droga faz mal”. Com o passar do tempo, a repetição acaba desgastando a expressão, e ela perde o sentido para o filho. A melhor maneira de evitar isso é se informando com maior profundidade sobre como essas substâncias agem no organismo e que tipo específico de prejuízo trazem.
– Uma boa dica, quando sai uma reportagem no jornal, por exemplo, é chamar o filho para ler e aprender junto. Deixar de repetir o simples discurso do medo – ensina o psicólogo Lucas Neiva-Silva.
:: PERMANEÇA ATENTO AO GRUPO DE AMIGOS DO SEU FILHO
Um dos maiores fatores de risco ao uso de drogas na infância e na adolescência é o que os especialistas chamam de “influência dos pares”, isto é, o grupo de amigos mais próximos. Por isso, além de orientar os filhos sobre os riscos da drogadição, os responsáveis devem acompanhar de perto quem são os amigos deles. Saber os locais que os jovens frequentam também é importante fator de prevenção. Para administrar o grupo de amigos, os pais não devem ter medo de estabelecer regras e impor castigos quando forem descumpridas – sempre explicando ao jovem que suas ações provocam consequências

:: ESTIMULE SEU FILHO A ORIENTAR OS COLEGAS SOBRE AS DROGASUma das maiores dificuldades dos pais é driblar uma eventual resistência dos adolescentes às orientações “caretas” sobre drogas. Uma dica é utilizar uma estratégia chamada “par a par” (do inglês peer to peer), isto é, educar o filho para que ele possa educar os seus amigos e colegas. Um exemplo desse tipo de abordagem é: “Tu deves ter algum conhecido que está entrando no mundo das drogas. Quem sabe tu não dá uns toques para ele, quem sabe ele não te ouve?”. Com esse tipo de enfoque, o jovem se sente valorizado, em vez de vigiado.
Fonte: Psicólogo Lucas Neiva-Silva
Fonte:Donna DC/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)