quarta-feira, 23 de setembro de 2015

TERMINEMOS O DIA COM UMA LIÇÃO DE TOLERÂNCIA


 José Manoel Cruz Cebola (escritor português)

Quando eu ainda era um menino, a minha mãe gostava de fazer um lanche antes da hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma tarde, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.
Naquela tarde, a minha mãe pôs um prato de torradas bastante queimadas, defronte do meu pai. Eu lembro-me de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o facto. Tudo o que meu pai fez foi pegar na sua torrada, sorrir para a minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas lembro-me de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi a minha mãe desculpando-se por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que o meu Pai respondeu:
- Adorei a tua torrada queimada...

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite no meu pai, eu perguntei-lhe se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele envolveu-me nos seus braços e disse-me:
- Meu filho, a tua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias !
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.
Desde que eu e a tua mãe nos unimos, aprendemos a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando.
Ela não sabe usar a berbequim, mas após os meus trabalhos de reparações , ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer um cozido como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube adormecer-te, mas comigo tu tomavas banho rápido, sem reclamar.
A soma de nós dois monta o mundo que tu recebeste e que te apoia, eu e ela nos completamos. A nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.
De facto, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então, meu filho, esforça-te para seres sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida a ti e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que tu lhes fizeste, ou do que lhes disseste. Mas nunca esquecerão o modo pelo qual tu as fizeste sentirem-se.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apelação no Novo CPC: o que mudou?

                                                                                              v Apelação no Novo CPC: o que mudou? ...

Tornar a ver