quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O TÉTRICO FIM DE ELION JORGE

De origem modesta e pacata, singularismo próprio dos que não foram mimados em berço de ouro, porém com a mente fértil e de uma inteligência explêndida, brotou como um rio. Titã, como todos os vultos nacionais que respiraram os ares daquela terra, que nada tem a ver com os forasteiros que por ali passam, que por ali vivem a monopolizar, a escravizar, depois que saem da fome à mordomia. Creio que , Elion, como simplesmente era conhecido naquelas plagas, foi vítima de um desses imigrantes gananciosos, ptretenciosos burgueses-burocratas que a nossa querida terra abriga, sacia a fome, engorda e enriquece. Elion era um jovem de bons presságios. A sua maior conquista seria tornar-se engenheiro-civil. mas como a muralha da universidade é de uma altura incanculável para a maioria - impossível de penetrar-se, Elion ficou de fora, privado do conhecimento, - privado do saber. Assim como muitos intelectuais são atirados ao léu da mediocridade e abstinência, não passara de um mero matemático, físico e biólogo escondido atrás das cortinas negras de um teatro cínico e invisível, que tem por nome Santo Antônio de Jesus. Funcionário de uma instituição financeira por muito tempo, Banco do Brasil, laborando em sua terra natal, transfere-se para Valença. Um dia o infortúnio fê-lo retornar à cidade das Palmeiras Colonial. Aí começou a sua desgraça. Em visita ao antigo local de trabalho, fôra estupidamente agredido por guarda-costas que por pouco não desferui-lhe tiros, momentos em que tentara convencer a uma mente mesquinha, uma alternativa para solucionar determinado problema. Problema este, criado pela severidade da mordomia e prolixidade burocrática. A surpresa e impacto emocional causados pelo desemprego injusto, tornou-se-lhe um homem destruído e arrasado; perdido e só. Em um mundo em que os amigos existem enquanto somos. Há muito tempo afastado de sua terra natal, Santo Antônio de Jesus, fugia não das faces Frankstenianas dos calhordas, - alicerces da sua destruição. Mas sim, para transparecer a sua querida mãe, D. Helena, o sofrimento e a dor que feriam-lhe o coração. Mas como a vida nos impele, às vezes, de agir quando não queremos, Elion retorna a terra natal. Morre D. Helena... passa o tempo. A luta para conseguir provar a sua integridade moral , a dor do desemprego, a orfandade e a solidão  transformaram-lhe de um jovem alegre e sorridente, em um homem deprimido. Dois de novembro de 1979. Dia de finados. A natureza abraça-se ao homem chorando profundamente. Os céus da baía é triste. É noite nos mares. A balsa quen transporta passageiros Salvador a Bom Despacho está cheia.. O som grave e estridente em mi bemol sustenido ecoa no infinito saíndo da campanhia do navio. É dada a partida. Em pleno mar, - travessia, um baque! Caíra um corpo. Foi um homem. muitos viram. Até mesmo um seu conhecido. Foi Jorge Elion. Seus documentos provam o seu desaparecimento. Pois, sobraram para justificar a sua ausência  dos postos do INSS, e dos Palácios da Justiça. Com o canto triste da natureza e soar de atabaques , os peixes fazem a festa alimentando-se de carne humana. Depois deste jantar tardio, estes mesmos peixes serão pescados para alimentar os gananciosos do Recôncavo. Até mesmo os ganciosos-antropófagos-forasteiros da cidade de Santo Antônio de Jesus.

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