domingo, 20 de abril de 2014

Os pobres têm filhos? Sim, é o proletariado!


Miséria - esta é a charge descabelada, errada, burra, que deu origem ao meu pequeno texto aqui.
O Brasil é um dos países que mais produz sociologia da pobreza e um dos países em que nossa elite, que estuda tal coisa, menos conhece o pobre.
Encontro gente acreditando que as mulheres pobres têm muitos filhos por falta de informação (como se a pílula fosse desconhecida das mulheres pobres). Encontro outros imaginando que as mulheres têm muitos filhos porque o governo incentiva (como se o proletariado fosse proletariado, ou seja, os que têm prole, a partir do governo do Lula!). Meu Deus! Qualquer estudo sócio-psicológico, com base antropológica, aponta fácil que:
1) ser mãe dá novo status na comunidade pobre perante vizinhos, amigos e familiares;
2) garante por mais tempo a atenção do companheiro e amplia seu orgulho na comunidade como “pai”, “macho” etc., isso reverte em benefício para a mulher;
3) e logo depois que as crianças ficam grandinhas, elas facilitam as tarefas domésticas, ajudam na companhia e, principalmente, integram a mulher como pessoa na vida das mulheres que, enfim, são todas mães.

Miséria - esta é a charge descabelada, errada, burra, que deu origem ao meu pequeno texto aqui.
Miséria – esta é a charge descabelada, errada, burra, que deu origem ao meu pequeno texto aqui.

Não entender isso é não entender nada da vida comunitária, que é bem diferente da vida mais liberal, digamos assim, da mulher de classe média com profissão não braçal. Por isso o proletariado é proletariado mesmo num mundo com pílula.
Aliás, muitas vezes não se entende isso porque o paradigma liberal em ciências humanas acaba não convivendo com o paradigma comunitarista. Uma melhor integração entre leituras de autores liberais e comunitaristas, por parte de estudantes de ciências humanas, poderia melhorar isso.
© 2014 Paulo Ghiraldelli, filósofo.

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