quarta-feira, 7 de junho de 2017

História da polícia e do crime no Brasil: dez obras de referência para conhecer



Frederico Oliveira, mestre em História Social (FFP-UERJ), autor da dissertação Uma História do “Esquadrão da Morte”: Mitos, símbolos, indícios e violência no Rio de Janeiro (1957-1969), indica 10 obras para uma introdução às temáticas polícia e crime no Brasil.

Por Frederico Oliveira


Os estudos sobre polícia e criminalidade, temáticas comuns desde a década de 1940 a sociólogos, jornalistas, policiais criminalistas, ex-detentos, escritores e antropólogos, somente a partir dos anos 1990 passaram a ter uma maior atenção dos historiadores, até então mais interessados em outros assuntos. Assim, sendo objetos ainda pouco explorados pela pesquisa historiográfica, principalmente na perspectiva do tempo presente, a polícia e o crime representam na atualidade, em face das reiteradas crises envolvendo segurança pública, uma oportunidade desafiadora para o campo da História.
1. BARRETO FILHO,Mello; LIMA, Hermeto. História da polícia do Rio de Janeiro. Aspectos da cidade e da vida carioca. Rio de Janeiro: A Noite. 3 volumes. [Vol. I, 1565/1831. Prefácio de Filinto Müller. 1939. 361p. Vol. II, 1831/1870. Prefácio de Felisberto Batista Teixeira. 1942. 332p. Vol. III, 1870/1889. Prefácio de Pedro Calmon. 1944. 300p.]
A obra de Mello Barreto Filho e Hermeto Lima possivelmente foi, em seu conjunto, até a data de sua publicação, entre 1939 e 1944, o trabalho mais abrangente escrito sobre a polícia da então capital federal, o Rio de Janeiro, e continua até hoje sendo obra incontornável para quem pretende se iniciar no estudo sobre a polícia carioca do século XIX.
Colt---Pistola
Colt Modelo 1862 – revólver usado pela polícia de Nova York. Serial No. 38549. Foto: The Met, Gift of W. C. Foxley, 2014.
2. HOLLOWAY, Thomas H. Polícia no Rio de janeiro. Repressão e resistência numa cidade do século XIX. Rio de Janeiro: FGV, 1997.
O livro, obra de renomado historiador Thomas H. Holloway, apresenta a evolução histórica da polícia do Rio de Janeiro ao longo do século XIX, procurando compreender aspectos da repressão e da resistência da sociedade da cidade num quadro mais amplo de uma transição do controle do poder através das instituições públicas, quando o poder do Estado passa a preponderar no espaço público.
3. CORRÊA, Valmir Batista. Coronéis e Bandidos em Mato Grosso, 1889-1943. Campo Grande: UFMS, 2006.
O livro, originalmente uma tese de doutorado de Corrêa, aborda o domínio dos coronéis sobre as comunidades locais, sua luta por poder e a ação dos bandidos daquela região, entre 1889 e 1943, procurando compreender os processos históricos que originaram o separatismo mato-grossense que posteriormente resultou no Mato Grosso do Sul.
4. CANCELLI, Elizabeth. O mundo da violência: a polícia na Era Vargas. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1993.
Originalmente tese de doutoramento da autora, que escreveu também A Cultura do Crime e da Lei, Carandiru: a prisão, o psiquiatra e o preso e organizou o livro História de Violência, Crime e Lei no Brasil, a obra apresenta um estudo sobre o aparato policial do Estado, a vigilância exercida pela polícia sobre a sociedade e a violência durante a denominada Era Vargas, problematizando, dentre várias questões, o ano de 1937 e os desdobramentos do projeto político estadonovista.
5. BRETAS, Marcos Luiz. Ordem na cidade: O exercício cotidiano da autoridade policial no Rio de Janeiro, 1907-1930. Tradução de Alberto Lopes. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
O livro, originalmente tese de doutorado defendida na Open University, do Reino Unido, obra de um historiador que é referência sobre as temáticas, utilizando como fonte privilegiada livros de registros de ocorrências de distritos policiais do Rio de Janeiro, entre 1907 e 1930, aborda sobretudo as relações entre a polícia e o público, além de questões como o processo de institucionalização das polícias, o Estado e sua influência no trabalho policial, o cotidiano policial na sociedade carioca, aspectos do policiamento cotidiano, a burocracia, suas rotinas, o medo da desordem e a insegurança na cidade capital.
6. FAUSTO, Boris. Crime e Cotidiano: a criminalidade em São Paulo (1880-1924). São Paulo: Brasiliense, 1984.
Obra do historiador veterano, autor também de Trabalho urbano e conflito social: 1890-1920 e O Crime do Restaurante Chinês: carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30, o livro procura compreender o mundo da marginalidade, em sua especificidade, como um fenômeno social, e seus contatos com a polícia e o judiciário.
7. BARBOSA, Adriano. Esquadrão da Morte – Um mal necessário? Prefácio de Nélson Rodrigues. Rio de Janeiro: Mandarino, 1971.
Livro-reportagem escrito por conhecido jornalista (autor de Sacopã – Bandeira, Herzog, Delane. No túmulo da cidadania), a obra é a primeira a dar um tratamento mais jornalístico e menos ficcional ao fenômeno “esquadrão da morte”. A obra é leitura obrigatória para quem pretende pesquisar polícia e crime no Rio de Janeiro entre as décadas de 1950 e 1960.
8. MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. Prefácio de Gilberto Freyre. [1ª ed. 1985] São Paulo: A Girafa Editora, 2004.
Obra de historiador (autor também de Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço), o livro questiona várias teses até então aceitas pela historiografia tradicional sobre o cangaço e sua figura mais conhecida, Lampião. É um livro fundamental para se compreender o cangaço, os costumes, as relações de poder e a violência no Nordeste daquele período.
9. AMORIM, Carlos. Comando Vermelho: a história secreta do crime organizado. Rio de Janeiro: Record, 1993.
Neste livro, agraciado com o Prêmio Jabuti em 1994 na categoria reportagem e primeiro de uma trilogia composta por CV – PCC: A irmandade do crime e Assalto ao poder: o crime organizado, o jornalista Carlos Amorim aborda com riqueza de detalhes a formação do Comando Vermelho no final da década de 1970 e o impacto da facção criminosa no Rio de Janeiro nas décadas seguintes.
10. FONTES, C. N.; FLÁVIO, S. N.; COSTA, M.; BRETAS, M. L.(Org). História das Prisões no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2009. 2 v.
A obra, dividida em dois volumes, reúne artigos de diversos pesquisadores e procura evidenciar o sentido histórico da prisão no Brasil, representando sua publicação uma substancial contribuição da academia para se pensar e compreender a questão do cárcere e o sistema prisional brasileiro.

Frederico Oliveira é professor, mestre em História Social (FFP-UERJ) e especialista em História das Relações Internacionais (UERJ).

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