terça-feira, 27 de agosto de 2013

HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTEROe

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer de colo uterino, câncer de cervice uterino ou câncer cervical, é o segundo câncer mais comum no sexo feminino, perdendo apenas para o câncer de mama. Mais de 90% dos casos são causados pelo vírus HPV. Neste texto vamos falar um pouco sobre os sintomas do HPV e do câncer de colo uterino, do seu diagnóstico e da eficácia da vacina.

HPV

O Papiloma vírus humano ou vírus do papiloma humano, mais conhecido como HPV, é um vírus que possui mais de 150 subtipos. O HPV só causa doença nos seres humanos e é o vírus responsável pelo aparecimento das verrugas comuns e das verrugas genitais, chamadas de condiloma acuminado.
Neste texto falaremos apenas da relação do HPV com o câncer do colo do útero; se você quiser saber mais sobre HPV e verrugas comuns e genitais, leia: VERRUGAS COMUNS | VERRUGAS GENITAIS.
O HPV é um vírus transmitido pela via sexual, sendo, na verdade, a DST mais comum do mundo (leia: O QUE É DST?). Estima-se que até 10% da população mundial apresentem o vírus e que até 80% das mulheres entrarão em contato com o mesmo em algum momento da vida. Quando se leva em conta apenas pessoas jovens, a taxa de infecção pode ultrapassar 50% desta população em algumas regiões.
HPV
A maioria dos casos de infecção pelo HPV são assintomáticos e transitórios. Após 2 anos, 90% dos pacientes conseguem ficar curados espontaneamente, apenas pela a ação do nosso sistema imune. Os problemas ocorrem naqueles 10% que não conseguem se livrar do HPV e desenvolvem infecção permanente. São estas pacientes que correm risco de desenvolver o câncer de colo uterino.

Sintomas do HPV

O HPV infecta principalmente o epitélio da pele e das mucosas. Cada subtipo de vírus tem tropismo por uma área do corpo. Por exemplo, o HPV tipo 2 e 4 estão associados a verrugas comuns de pele, enquanto o tipo 1 a verrugas que acometem a planta dos pés.
Os HPV que infectam a pele são normalmente contraídos quando há lesões como cortes e arranhões que permitem a invasão do vírus para dentro do organismo. A transmissão é de pele para pele.
Outros subtipos do HPV têm tropismo pelas mucosas, principalmente as genitais. Neste caso a transmissão é feita por via sexual.
O condiloma acuminado ou verruga genital é uma doença sexualmente transmissível, causado pelo HPV-6 e HPV-11, que se caracteriza pela formação de verrugas genitais, conhecidas popularmente como crista de galo. São lesões esteticamente inconvenientes mas com baixo risco de malignização.
Como o HPV é uma DST, o seu principal fator de risco é a prática de sexo sem preservativos, principalmente se for com vários parceiros(as). A camisinha diminui o risco de contágio, mas no caso específico do HPV, a sua eficácia parece ficar em torno de 70%, muito abaixo das de outras DSTs (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).
Condiloma peniano e vaginal - HPV (clique p/ ampliar. Atenção: a imagem ao lado contém fotos que podem ser consideradas ofensivas para algumas pessoas)
Os subtipos de HPV mais relacionados ao câncer de colo do útero são os HPV-16 e HPV-18. Estes não costumam causar verrugas genitais visíveis, portanto, não costumam causar sintomas. Por isso, o exame de Papanicolaou usado no rastreio do câncer de colo de útero é vital para a prevenção desta doença. Falaremos mais deste exame a seguir.

Câncer do colo do útero

A associação mais conhecida e comum entre HPV e câncer ocorre com o câncer do colo uterino.
O colo do útero é a região mais inferior, fazendo a ligação entre o útero e a parte mais interna da vagina.
Existem 15 subtipos considerados de alto risco para o câncer do colo de útero, porém, pelo menos 70% deles são causados pelo HPV-16 e HPV-18.
A associação de infecção genital permanente pelo HPV e o fumo aumentam ainda mais o risco de câncer (leia: COMO E POR QUE PARAR DE FUMAR CIGARRO ). Nem todas as mulheres com HPV, mesmo com os subtipos mais perigosos, desenvolverão câncer. Por isso, nas mulheres com infecção comprovada, faz-se necessário abandonar o cigarro.
Outro importante fator de risco é a coinfecção pelo HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA) ). O câncer do colo do útero em pacientes com SIDA (AIDS) costuma ser muito agressivo.

Sintomas do câncer de colo de útero

O câncer de colo uterino não costuma causar sintomas durante sua fase inicial. Quando há sintomas, a doença costuma já estar em fases mais avançadas. O sintoma mais comum é o sangramento vaginal, geralmente pós-coito. Dor pélvica durante o sexo também pode ocorrer e sangramentos vaginais que aparecerem fora dos períodos menstruais também são sintomas possíveis.
Como em qualquer câncer, o diagnóstico precoce é essencial para o sucesso do tratamento. Como não há sintomas precoces da doença, o exame de rastreio visando a prevenção é fator mais importante na luta contra o câncer de colo uterino. O exame preventivo, chamado de exame de Papanicolaou é muito importante e deve ser feito regularmente.

Papanicolaou e rastreio do câncer de colo do útero

O exame de Papanicolaou é feito com um espéculo vaginal. Procede-se à esfoliação da superfície externa e interna do colo através de uma espátula de madeira e de uma escovinha. Desta maneira, consegue-se coletar células do colo uterino para avaliação microscópico, visando detectar lesões pré-malignas ou lesões malignas ainda em fases iniciais. A coleta de material também serve para se realizar a pesquisa do HPV.
A neoplasia intraepitelial cervical (NIC) é a lesão pré-maligna que o exame de Papanicolaou procura identificar. A NIC não é um câncer, mas é uma lesão do tecido do colo uterino com alto risco de se transformar em um. Dependendo de fatores como tamanho e local da lesão e do subtipo tipo de HPV detectado, as neoplasias intraepitelial cervicais são dividas em 3 grupos, em ordem crescente de risco de transformação maligna: NIC 1, NIC 2 e NIC 3.
A maioria dos casos de NIC 1 se curam espontaneamente em um prazo de até 2 anos, não precisando de tratamentos mais agressivos. Caso detecte-se a presença de uma lesão de alto risco, nomeadamente NIC 2 e 3, deve-se proceder a sua retirada (excisão da zona suspeita). É importante salientar que as excisões apenas retiram a parte do tecido com risco de transformação maligna, mas o HPV continuará presente no organismo. Retiramos apenas aquela região onde o tecido é composto por células que podem a longo prazo virar câncer.
Em geral, recomenda-se o exame preventivo anualmente em todas as mulheres sexualmente ativas.
Se o exame de Papanicolaou identificar a presença de um câncer de colo do útero já estabelecido, faz-se necessária a realização de outros exames, procurando identificar a presença de metástases. Geralmente inicia-se com uma tomografia computadorizada de pelve e abdômen.

Vacina para HPV

Naquelas pessoas que desenvolvem infecção permanente pelo HPV, ou seja, que o sistema imune não é capaz de eliminar o vírus, não há tratamento curativo disponível. Estas pessoas ficam infectadas pelo vírus pelo resto da vida, estando sempre sob risco de desenvolverem lesões malignas, principalmente se forem o HPV-16 ou HPV-18. Por isso, o advento da vacina foi uma passo importante na luta contra o câncer do colo uterino, pois esta impede a contaminação de pessoas ainda não infectadas.
Existem duas vacinas contra o HPV: uma inclui os subtipos 6, 11, 16 e 18, e outra os 45 e 31. Portanto, a vacina inclui os principais, mas não todos os subtipos relacionados ao câncer de colo uterino. Logo, a vacinação não elimina a necessidade do exame preventivo anual já que não exclui em 100% o risco de câncer.
A presença do HSV-6 e HSV-11 na vacina ajuda na prevenção do condiloma acuminado.
A vacinação é feita em três etapas, sendo a segunda e terceira doses administradas 2 e 6 meses após a primeira.
A vacina tem sido indicada a partir dos 9 anos de idade e deve ser preferencialmente oferecida às meninas sem vida sexual ativa. Lembre-se que a vacina é uma prevenção e não tratamento do HPV. Não adianta vacinar quem já teve contato com o HPV. Portanto, a indicação da vacinação em maiores de 26 anos ainda não é totalmente aceita, uma vez que virtualmente todas as mulheres nesta idade já foram expostas ao vírus.
Os que são a favor da vacinação em mulheres mais velhas argumentam que mesmo que a vacina não sirva para combater o HPV já existente, ela pode proteger contra outros subtipos que a paciente possa ainda não ter sido exposta. O fato é que ainda faltam estudos que comprovem a redução dos casos de câncer do colo uterino em mulheres que receberam a vacina contra o HPV depois dos 26 anos de idade ou após contaminação comprovada por algum subtipo do HPV. Não sabemos, por exemplo, qual o grau real de benefício de se uma mulher já infectada pelo HPV-18 se vacinar contra o HPV-16.
Até o momento não há no Brasil campanhas de vacinação contra HPV  no sexo masculino. Em alguns países, entretanto, já há indicação para vacinação de meninos entre 9 e 26 anos.
A vacina não é feita com vírus vivo atenuado e, por isso, é bastante segura. Todavia, como ainda não existem trabalhos comprovando a sua segurança na gravidez, ela não está indicada neste grupo.

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