sábado, 23 de abril de 2011

Alterações subclínicas da tiróide
A disfunção subclínica da tiróide caracteriza um conjunto, quase sempre sem sintomas, de
alterações da tiróide diagnosticadas pelo exame imagiológico (mais frequentemente a
ecografia) ou pelo estudo laboratorial da função tiroideia
Podemos incluir na disfunção subclínica da tiróide:
• nódulos não palpáveis (incidentalomas da tiróide)
• hipertiroidismo subclínico
• hipotiroidismo subclínico.
Incidentalomas da tiróide
São nódulos não palpáveis da tiróide, identificados de forma ocasional e fortuita, através de
exames imagiológicos do pescoço (ecografia, tomografia computadorizada ou ressonância
magnética) realizados, quase sempre, com outras indicações clínicas que não a doença da
tiróide. Os nódulos não palpáveis da tiróide são comuns, mais frequentes com a idade e podem
ser identificados pela ecografia em 30% a 50% da população em geral. Podem ter dimensões
variáveis sendo habitualmente de pequenas dimensões ou seja com diâmetro inferior a 10 mm.
O estudo citológico dos nódulos não palpáveis só está recomendado se tiverem um diâmetro
superior a 10 mm, se houve irradiação prévia da cabeça ou pescoço, há familiares com
carcinoma medular da tiróide ou existem gânglios cervicais clínica ou ecográficamente
suspeitos. Normalmente, a presença de nódulos da tiróide com diâmetro inferior a 10 mm, na
ausência dos factores de risco mencionados, não tem grande importância clínica, podendo ser
recomendada apenas uma vigilância clínica periódica.
Hipertiroidismo subclínico
O diagnóstico do hipertiroidismo subclínico caracteriza-se pela presença de TSH suprimida
(abaixo do limite inferior do normal) com T3 livre e T4 livre dentro do normal. Frequentemente a
T3 livre e a T4 livre situam-se na metade superior do normal.
A causa mais frequente de hipertiroidismo subclínico é a toma de uma dose diária excessiva de
levotiroxina. Outras causas frequentes são: adenoma hiperfuncionante da tiróide, doença de
Graves em início ou com evolução clínica ligeira, tiroidite do pós-parto, tiroidite subaguda e
ingestão de produtos com iodo.
Habitualmente, a maioria dos indivíduos com hipertiroidismo subclínico não refere sintomas.
Em alguns há a presença de sintomas subtis de hipertiroidismo, principalmente quando a T3
livre e T4 livre se encontram próximo do limite superior da normalidade.
Dois grupos populacionais merecem referência particular: a mulher após a menopausa e as
pessoas com idade superior a 65 anos. O hipertiroidismo subclínico pode constituir um factor
de risco para a osteoporose na mulher pós-menopáusica que não faz tratamento hormonal de
substituição, apesar de não estar documentado um aumento do número de fracturas. Nos
indivíduos com idade superior a 65 anos e hipertiroidismo subclínico a principal preocupação é
o aumento do risco cardiovascular e nomeadamente de arritmias.
No tratamento do hipertiroidismo subclínico não tem sido fácil estabelecer um consenso.
Quando tem origem na toma de uma dose excessiva de levotiroxina é unânime a
recomendação de proceder a um ajuste mais perfeito da dose a administrar. Nas outras
situações será sempre conveniente fazer, antes de uma eventual decisão terapêutica, um
período de seguimento com repetição dos doseamentos, uma vez que, em 50% dos doentes
com níveis suprimidos da TSH, há normalização espontânea da TSH sem intervenção
terapêutica. Igualmente importante é determinar a causa do hipertiroidismo pois algumas
situações são transitórias e apenas requerem tratamento sintomático. A intervenção
terapêutica reúne consenso quando ocorre em indivíduos de idade avançada, com sintomas
frequentemente de natureza cardiovascular e na dependência de disfunções tiroideias que

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