segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Nordeste brasileiro: explosão da violência

16 de janeiro de 2012 às 16:00
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Nordeste brasileiro: explosão da violência

LUIZ FLÁVIO GOMES* 
Mariana Cury Bunduky**
O Brasil compreende estados distintos entre si, seja em questões culturais, políticas ou sociais. Assim, cada qual, de acordo com suas peculiaridades, é atingido de forma diversa pela violência e o mesmo ocorre com suas capitais.
Elaborando-se uma análise do número de mortos a cada 100 mil habitantes nas capitais brasileiras em 2009, é possível observar que, das cinco piores colocadas, quatro estão em estados no Nordeste. São elas: Maceió (1º colocado, 94,4 mortes), João Pessoa (2º colocado, 72,9 mortes), Recife (3º colocado, 71,9 mortes) e Salvador (5º colocado, 67 mortes).

Apesar de fazer parte de um estado do Sudeste (região mais populosa e rica do país), Vitória foi a 4ª colocada dentre as capitais mais homicidas em 2009, com 70 homicídios a cada 100 mil habitantes. O Espírito Santo, inclusive, dentre os estados, foi o 2º mais homicida no mesmo ano, com 57,2 mortos por 100 mil habitantes (Fontes: Ministério da Saúde e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Dentre as capitais menos homicidas, as cinco primeiros colocadas são: São Paulo (15,1 mortes), Palmas (17,5 mortes),Florianópolis (20,4 mortes), Boa Vista (26,8 mortes) e Teresina (27 mortes). Capitais pertencentes às regiões Sudeste, Norte, Sul e Nordeste.
Curiosamente, o inverso ocorre nos estados. Dentre os cinco estados melhores colocados, predominam estados das regiões Sudeste (3º – São Paulo e 4º – Minas Gerais) e do Sul (2º – Santa Catarina e 5º- Rio Grande do Sul), já entre os cinco piores colocados, há estados de quase todas as regiões: Norte (4º – Pará); Sudeste (2º – Espírito Santo), Nordeste: (1º – Alagoas e 3º – Pernambuco) e Centro-Oeste (5º – Distrito Federal).
Sinal de que a violência não atinge da mesma forma todas as capitais e estados do país, ainda que de uma mesma região, e que os entraves no combate à violência no Brasil ultrapassam “achismos” e impressões, sendo de vital importância (para seu controle) a captação dos números e, a partir daí, o desenvolvimento de políticas públicas sérias que envolvam os governos e a sociedade, porque a violência é desenganadamente um problema individual, social e comunitário.
*LFG – Jurista e cientista criminal. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter. Assine meu Facebook.
**Advogada e Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

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